MULHER

Comportamento
De Príncipe a Sapo

Nos contos de fadas, o bem e o mal são representados por príncipes, fadas e por monstros, lobos e bruxas. Nos contos de fadas, o sapo vira príncipe e com sua princesa vive “feliz para sempre”.

No cotidiano humano, a escolha do parceiro se dá num encaixe perfeito. Nela há a busca do preenchimento de necessidades tanto no nível consciente quanto no inconsciente, sendo este último predominante. Na memória inconsciente fica registrado tudo o que o indivíduo experimenta, no campo das sensações, de fantasias, de pensamentos. O objetivo do inconsciente na escolha do parceiro é, muitas vezes, “passar a limpo” as feridas ainda dolorosas do passado. O individuo organiza sua vida de acordo com elementos internos que ele mesmo desconhece.

No momento do enamoramento o casal é envolvido pela idealização. Não se vê a pessoa como ela é. Encontra-se “o (a) príncipe (cesa) encantado (a)”. Entretanto, a convivência traz à tona as diferenças pessoais e o confronto das defesas pessoais.

Cada um dos membros do casal traz consigo sua bagagem pessoal. Esta bagagem é composta do resultado de suas experiências pessoais que vão se constituir em crenças, comportamentos, expectativas, etc. No cotidiano, o fato de dormir com a TV ligada pode incomodar ao outro de tal forma que a mágoa começa a se instalar. O sentimento que o parceiro ativa precisa ser examinado de forma que as respostas (atitudes e palavras) de um e outro não se convertam num círculo vicioso e o problema não seja resolvido. Entrar na culpabilização é um forte indício deste círculo. De mágoa em mágoa, forma-se o muro entre o casal.

A falta de boa comunicação, saber ouvir e saber falar, empatizar e trocar, agrava as mágoas. A admiração é componente fundamental para a relação. Ela alimenta o interesse pessoal e sexual. Na medida em que as diferenças pessoais são sentidas como competição, deixa-se de se aceitar o outro em sua totalidade e o desrespeito pode se instalar.

A visão que se tem de si mesmo e do mundo interfere na interpretação que se faz das atitudes das outras pessoas. Ampliar o olhar para além da sua própria realidade, como se ela fosse a única e verdadeira, permite ver no outro diferenças que podem instigar a curiosidade, o aprendizado e a troca. Neste sentido, as diferenças podem ser transformadas em complementaridade.

O mundo inconsciente une presente e passado. A relação a dois é uma fonte inesgotável para trazer à tona os conflitos pessoais não resolvidos nas relações primárias e pode possibilitar o crescimento pessoal e relacional. Contudo, os relacionamentos são vividos automaticamente e, muitas vezes, afetos são destruídos.

O reconhecimento das motivações pessoais e a elaboração dos conflitos internos podem capacitar as pessoas a romper com círculos viciosos, a fazer, a manter e desenvolver escolha mais saudável.



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