O presidente da TIM, Mário Cesar Pereira de Araújo, propôs hoje a união de operadoras, Anatel, governo e legislativo para discutir uma fórmula que leve o setor de telecomunicações, em meio a essa crise econômica, a ser um importante vetor de crescimento do país. Para isso, ele prevê a necessidade de se criar um novo modelo para o setor, que aumente a rentabilidade das empresas, de modo que os investimentos necessários sejam feitos.
De acordo com os dados apresentados por Araújo na sua palestra na 10ª Futurecom, a rentabilidade das operadoras no Brasil são bem menores do que a de outros países em desenvolvimento. Enquanto a margem de Ebitda da telefonia móvel é de 24% aqui, na China ela chega a 50%, 47% no Egito, 38% na Índia e 32% na África do Sul. "As operadoras vão manter os investimentos, mas esses números afastam recursos novos, que poderiam vir para o Brasil, já que a crise terá efeito menor no país", defende.
A proposta do presidente da TIM prevê a redução de impostos, como o ICMS e Fistel em serviços de banda larga móvel, da mesma forma que os acessos de SCM (Serviço de Comunicação Multimídia). "A carga tributária sobre o setor é 10 vezes superior ao lucro operacional, contribuindo para a baixa rentabilidade do negócio", disse Mário César Araújo.
Araújo também defende a licitação de espectro, sobretudo a antecipação da liberação da faixa de 700 Mhz, que sobrará com o desligamento dos canais analógicos da TV aberta, que está previsto para 2016. "O brasileiro precisa dessa frequência, então se é em benefício dele nenhum interesse particular pode se sobressair", disse, prevendo o esgotamento das atuais freqüências em 2011.
- Há uma demanda reprimida por banda larga. Hoje, em São Paulo, o volume de tráfego de dados da TIM já é igual ao de voz. E uma antena instalada em Belém na semana passada, teve seu volume de tráfego de dados dobrado. Então é uma demanda reprimida que ainda não se consegue dimensionar", disse Araújo.
Interconexão
O presidente da TIM frisou que a redução da tarifa de interconexão de redes (VU-M) ainda não é viável, porque há uma elevada dependência do setor a esta receita. Mas admite negociar com o Ministério das Comunicações contrapartidas para manutenção dos atuais níveis da VU-M.Hélio Costa defende que as celulares instalem banda larga móvel em escolas rurais e em projetos de segurança pública.
Segundo Mário Cesar Araújo, o Minicom não fez uma proposta concreta sobre isso, embora já tenha conversado sobre o assunto com as operadoras. Porém, ele defende que outras popostas sejam colocadas na mesa de negociação, como um aumento do prazo para que as operadoras atendam as pequenas cidades, como prevê o edital de licitação da 3G.